Navegando pelo mundo da Net, encontrei e trouxe para cá estes grandes achados.São pessoas talentosas que escreveram o que eu gostaria de ter escrito. Todos os textos estão com os devidos créditos. Meus parabéns a todos eles! Rejane

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“Quem escreve constrói um castelo, e quem lê , passa a habitá-lo.”

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Sim, sou brasileira. Não, não gosto de carnaval.










Autoria: Gabriela Marques


Copiado daqui




É, chegou a hora. Todo mundo tá falando disso, tem gente pagando as parcelas há um ano, hipoteca a casa, mas paga isso. É mais esperado que o 13º, mais que qualquer outra data e feriado. Vem chegando o carnaval. Para alegria de todos e para meu desespero. Eu não conheço nenhuma outra coisa que eu odeie tanto quanto carnaval. Eu acho que é até pecado falar uma barbaridade dessas sendo brasileira. Eu deveria ser presa. Acho que é uma afronta. Deve ser. Foi mal, deuses do axé e do candomblé. Por favor, não venham puxar meu pé à noite saculejando seus corpinhos e me cantarolando essas músicas de vocês no ouvido. Eu sou uma boa pessoa, eu juro, mas eu não gosto de carnaval. Nunca gostei. Eu sempre planejo ir esquiar nessa época, veja só que apego tenho a esse feriado nacional. E me sinto mal, porque devo ser um alienígena por não gostar dessa ferveção que todo mundo ama. Será que eu sou gringa? Mãe, sou? Acho que não, porque os gringos também amam essa desgraça, quase todo mundo no planeta ama.


De verdade, o carnaval só serve pra mim pra duas coisas: um grande feriado pra uma viagem legal, e a hora de saber que o ano realmente começou e, portanto a dieta e a academia devem começar também. Eu não entendo esse amor que as pessoas têm por essa data. Eu detesto samba, até os de raiz que tem letras belíssimas mas o ritmo me incomoda. Eu odeio aquela gente se sacudindo e parecendo que vai quebrar a cintura e o siso vai encostar na orelha de tanto sorrir. Tenho pavor a bloquinhos de carnaval com gente de abadá cafona, homem vestido de mulher (que mania gente…) e de fantasias em geral. Quando um Bob Esponja vem me xavecar eu acho que preferiria um tiro de raspão. Não suporto aquele calor, aquele bafo de vulcão, aquela farofa, aquela gente suada se encostando, se amando e se encoxando como se não houvesse amanhã. E há o amanhã viu gente? Engravida, pega sapinho, o bofe some. Todas aquelas coisas que também acontecem na páscoa por exemplo. Eu não tenho o menor talento pra esse desapego. Nos poucos carnavais que já fui o carinha que troquei olhares no começo era o que eu queria ficar pro resto da noite (e da vida?), queria ficar de mãozinha dada no melhor estilo “casei na balada” mas ele nem sequer queria saber o meu nome, eu devia ser mais uma da lista de milhõõõões que ele pegaria pra contar pros amigos. Que nojo! Ai que chateação, não dou conta desse mundo sem amor. Esse ninguém é de ninguém. Poxa vida, cadê a consideração?! Cadê o romance?!


E as escolas de samba na Sapucaííííí (já vem uma voz gritando na minha cabeça quando penso nessa palavra. A voz e o gari sambando)? E os desfiles Brasil? Ai só de pensar nos desfileSszzZZZzzzzZZzz. Opa, desculpa, dei um cochilo. Eu tenho uma teoria de que as escolas revezam os carros e fantasias ano sim ano não. Porque são sempre iguais! Não me venha dizer o contrário! E como julga aquilo? Harmonia, nota…..9,75. Oi?? Baseado em que querido? Que harmonia tem essa bagunça? E a entonação desse cara que faz a apuração? Eu acho que ele odeia mais carnaval que eu ou que ele vai se matar a qualquer momento. E Rainha da bateria? Seriously? Eu quero é ser Rainha da Suécia, da Inglaterra, não da bateria da unidos da Pirapora da Serra.


“Você não sabe o que é carnaval até ir pra Salvador”. Então acho que dessa vida sairei sem saber. Eu não vou. Não adianta. Já sei que o Asa Arreia, que o Bel arrasa, que a Claudinha é sarada, que o Durval sei lá das quantas. Mas não vou. Nem de graça, nem no colo da Ivete Sangalo (até daria um abraço nela e diria que todos nos acham sósias e que ela é bárbara), mas ainda assim não ficaria. Já ouvi que não existe coisa igual, que a vibe é indescritível, que é uma felicidade contagiante e ta ta ta. Eu não vou, quero ser feliz na neve com minha prancha de snow ou na praia vazia sem farofa.


Eu também acho preocupante essa minha posição sobre esse feriado tão festivo e essa época tão solene. Mas não tenho muito o que fazer a não ser me preparar para isso. Tem gente que não gosta de chocolate e eu não gosto de carnaval. Vai entender. Mas ó, de coração, desejo a todos vocês um carnaval incrível, com muito axé, muito samba, muito amor, muita história pra contar. E voltem logo, pra gente poder planejar o próximo feriado pra um lugar que eu não seja extraterrestre.


Bom iê iê iê pra vocês. Porque atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu e eu acho que sou um zumbi então.

sábado, 2 de janeiro de 2016

O céu não é um lugar

"O céu é uma dimensão do infinito que só pode existir dentro da gente"... "



A VERDADE NA VIRADA DO ANO

    Por Tais Luso

Nunca gostei de despedidas. E muito menos de retrospectivas do ano agonizante. Não me cai bem. Naturalmente nunca mudei minha opinião, nunca tive sonhos na passagem do Ano-Novo. Também jamais tracei metas. Sei que não faço parte do pelotão dos animados, mas isso não me incomoda.

Nesses anos todos, vim observando e consolidando minhas ideias a respeito dessa festividade e do comportamento humano. Da mesmice, da continuidade de nossas atitudes após a festa. Se isso adiantasse o mundo seria outro, porque passagens e oportunidades tivemos aos milhões.

Temos nossos defeitos e virtudes. Dos defeitos, somos perdoados com sinceridade. As virtudes, segundo Nietzsche, são difíceis de serem reconhecidas. E como poderia eu discordar do filósofo se observo que a virtude incomoda grande número de pessoas? Certas atitudes nunca se ajustam nessa passagem de ano. É muita festa... Muito oba-oba.

Também me interrogo: por que comemorar um momento - meia-noite -, se dezembro e janeiro são separados por horas? Não seremos as mesmas pessoas no ano que se finda e no outro que se inicia? Poderia eu mudar minhas atitudes, consolidadas, em minutos?

Foi pensando na importância das metas traçadas, nos relacionamentos entre humanos que me lembrei da história das ostras, que quando são feridas é que produzem pérolas. Pérolas que nascem do sofrimento.

Ao contrário das ostras, o ser humano nada produz quando despeja seu ódio em cima de alguém, destruindo o físico, o espírito e a moral de seu opositor. Deixa feridas que não cicatrizam, como resultado de preconceitos, de mentiras, de inveja.

Difícil lidar com esses sentimentos devastadores. Difícil acreditar em mudanças de fim de ano, em gente que nada tem a ver conosco nem em afetos, nem em afinidades.

Acumulamos sonhos de consumo que não são para o nosso bico, sonhamos com castelos de futilidades como se tivéssemos 'tempo' de usufruir de tudo. Gosto da rotina, da simplicidade do cotidiano. Alegro-me com as coisas que estão ao meu alcance. E assim sou eu, mesmo com as toneladas de fogos saudando os céus, nada modifica.

E nada é mais fantástico do que a vida em si, imaginar o Universo e seus mistérios que nos oferecem uma natureza exuberante. Mas respeito a alegria coletiva, embora saiba que, no mundo dos sentimentos e das comemorações, o amanhã será igual ao hoje, salvo se cada um de nós se propuser à mudanças interiores, independente de data. Aí sim, acredito.




Copiado daqui:http://taisluso.blogspot.com.br/2015/12/a-verdade-na-virada-do-ano.html

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Sou mãe. Logo, imperfeita







Por : Lilian Dias

Copiado   :daqui

Surpreendi-me e não pude deixar de escrever sobre reportagem publicada nas páginas amarelas de Veja da semana passada, que trouxe entrevista com a filósofa francesa Elisabeth Badinter (foto). Autora de vários livros, Badinter é uma referência quando o assunto é maternidade, sobretudo pelas polêmicas que desperta ao questionar velhos conceitos relacionados a ela. Veja entrevistou a filósofa por ocasião do seu mais recente trabalho, Le Conflit: La Femme ET La Mère (O Conflito: a Mulher e a Mãe), lançado também no Brasil.

A entrevista de Badinter é um “alento” para mães que experimentam constantemente a sensação de nadar, nadar, nadar e morrer na praia; que se frustram diante de objetivos não alcançados e do “leite derramado”, como diriam nossas avós; e que carregam consigo uma carga de culpa e medo da qual parecem não conseguir se livrar jamais – afinal, mães precisam fazer a coisa certa, sempre. É isso o que todos esperam delas.

A pesquisadora revisita culturas e a própria história da humanidade para comprovar a tese de que mães são naturalmente imperfeitas, como é inerente à própria espécie humana. Combate a ideia de que a maternidade é o passaporte para um mundo de sentimentos absolutamente nobres. Desconstrói o mito da mãe perfeita, que não se cansa jamais diante das infinitas e eternas necessidades de seu rebento. Ao contrário: imperfeitas, mães erram, se sentem indispostas, se sentem frustradas ao não conseguirem encontrar equilíbrio entre os próprios desejos e os dos seus filhos.

Para Badinter, cada mulher deve exercer a maternidade a sua maneira, dando assim ouvidos a seus valores e convicções. Assim como na vida. Assim como são amigas, filhas, irmãs, trabalhadoras, companheiras imperfeitas, as mulheres o serão também na condição de mães. Negar isso, idealizar a maternidade, sim, nos traz grande frustração. “Nossa cultura criou um ‘amor maternal’ como um sentimento livre de imperfeições e ambiguidades. É como se nele existisse uma aura de sagrado”, diz Badinter a Veja.

Como mãe, acho que há mesmo um quê de sagrado na maternidade. Sou referência, ponto de equilíbrio, suporte emocional, afetivo, intelectual para meu filho e fui instrumento para que ele pudesse fazer-se gente. Mas com ele desejo seguir numa estrada onde seja possível vivenciar os tantos sentimentos inerentes à experiência que chamamos de “vida”. E nela, claro, haverá muito de imperfeição. Mas haverá mãos dadas. Incondicionalmente.



quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Quem me roubou de mim?




Autoria: Noemy Titan


Do Blog: http://nemtudoementira.blogspot.com.br/



Copiado daqui



Nem sempre fazer uma leitura da situação em que estamos passando é fácil , seja do aspecto profissional , financeiro e principalmente emocional . Falo isso , porque sempre que imaginamos doenças sérias, tragédias, acidentes, achamos que só acontecem com os vizinhos, nunca conosco.Imagine as doenças emocionais , estas então nunca vão morar na casa onde se vive.


No que vamos falar , não sei se podemos chamar de casa , na verdade é um cativeiro onde o outro se deixa enredar numa teia de sedução sem limite do parceiro que sempre parece bom em demasia , com grande boa vontade e cumpridor de suas promessas , como se fosse a tábua de salvação para as suas maiores necessidades , seja quais forem : dinheiro, , viagem, carência afetiva entre outras.


O problema é quando sem perceber o pacote de generosidade começa a ser cobrado , de forma elegante, sutil , sem que se perceba tão grande o requinte intelectual é feito. Tudo é tão bem feito e o outro que sofre na pele com isso não consegue sentir-se livre , nem pra fazer as coisas mais simples da vida e que nunca deixaria de fazer como : descer até a esquina para dar um mergulho na praia, encontrar os amigos , tomar um chope sozinho no balcão do bar ao lado de casa, conversar com o dono da banca de revista , discutir futebol com o amigo e assistir o jogo com ele , entre outras pequenas coisas


Parece que , uma nuvem de fumaça atrapalha sua visão e o suposto devedor começa a fazer aquilo que não faria nem junto , muito menos separado. Mas faz, pois sente-se culpado em relação ao outro , embora não saiba o motivo. E pior, ainda abre mão dos seus desejos em nome de acertar a relação com o outro , com quem sente-se sempre em débito.


Assisti uma reportagem em que baseio a minha crônica de uma psicanalista famosa chamada Silvia Malamud , o qual chama esse tipo de aprisionamento de : Sequestro da alma. E que consiste em nos perdermos, perder o direito de decidir sobre a nossa vida, perder a subjetividade em função do outro, viver dependentemente, no campo da própria alma ao outro. Esquecer de quem somos, da nossa totalidade e passamos a viver sem escolha, onde o outro suga ate mesmo nossa historia, nossa singularidade e nosso ser.


Tem um pedaço da letra da canção “Eu te darei o céu” do Roberto e Erasmo Carlos , 
que diz assim :



“ quanto tempo eu vivi a procurar, por você , meu bem


Até lhe encontrar . Mas se você pensar em me deixar .


Farei o impossível pra ficar.


Até...”


Nada mal pra o sequestrador , que não quer obter nenhuma vantagem material sobre o seu refém , mas sim a dependência emocional deste , que se não lutar e procurar realmente ajuda (amigos, família e principalmente terapia) não conseguirá fugir do cativeiro e poderá além da auto estima já destruída , efeitos devastadores em sua vida e para o resto dela.


Assim como diz Silvia Malumud :


“ Lembre-se que a vida é única e que estamos aqui para sermos felizes de verdade . Não se acostume com o que não lhe faz bem , tudo pode mudar pra melhor. Ouse e conquiste.”

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Jessy McLovin







Por : Jessy McLovin


Fonte: aqui


Eu acho que não nasci pra vivenciar mudanças, embora faça parte delas.

Até ontem eu ainda tinha meu avô, um corpo sem tatuagens, um cabelo da cor natural, irmãos solteiros, muitos amigos e só precisava me preocupar em não repetir de ano e não perder nenhum episódio de Dragon Ball Z.

Hoje as preocupações aumentaram, as contas chegam em meu nome, não tenho mais um avô pra chamar de meu, sobrinhos correndo atrás de mim e apertando meu nariz, amigos que posso contar em uma única mão, um trabalho me esperando no começo do dia e mais tatuagens do que gostaria de admitir.

Nós sempre reclamamos que nada muda, que por maior que seja o esforço que você faz, tudo permanecesse sempre igual. Porém se você olha para trás nada está onde você deixou.
Amigos, família, emprego, aquele amor...


Antes havia tempo para tudo e todos conseguiam se encontrar. Hoje você precisar procurar um horário na agenda até para ouvir aquele disco novo que você comprou há meses.

De repente não se tem mais assunto, não se anda mais pelas ruas que antes faziam parte do seu caminho, não se encontra mais as pessoas que antes faziam parte da sua vida.

A foto que ontem era atual, hoje é velha. Os amigos que antes não tinham nem barba, hoje já tem filhos.


Ainda não consegui entender a parte boa do tempo. Eles nos afasta, nos envelhece, nos tira uns dos outros, leva embora quem a gente quer que fique, estraga as nossas coisas bonitas.

Talvez eu precise de tempo para descobrir sua beleza.


Quando você para um pouco, para lembrar das coisas que se passaram, aquela memória linda, daquela noite bonita de lua na praia, você descobre que se passou um ano, talvez dois.

Você lembra daquele amigo que tem saudade e descobre que fazem dez anos que não se veem.

Aquela música que era a sua favorita, hoje soa engraçada e você se pergunta como conseguia gostar tanto dela.

Aquele amor do jardim de infância, do colégio, hoje só é parte de uma lembrança meio quebrada, meio turva.

Você acaba se tornando nostálgico mesmo sem querer. Porque as melhores coisas da vida já passaram.

Novas aventuras virão e em breve essas novas já não serão mais tão novas e você as colocará na prateleira do que foi bom.
O que é ruim a gente esquece.

Acho que essa é a uma das partes boas do tempo. Ele se encarrega da responsabilidade de levar embora o que é ruim.

Lembramos tanto do ruim, que quando tentamos lembrar de novo já se tornou tão incerto que você se pergunta como aquilo realmente aconteceu.

O tempo guarda em sua caixinha todas as partes terríveis e promete só abrir de novo se você pedir.

Eu me pergunto quase todos os dias como vim parar aqui, no dia de hoje, sendo como sou.

Pois o planejado ficou só no papel.

A felicidade vem e vai e quem importa sempre fica. A conta no banco continua ruim e a criatividade também.

Ainda preciso da minha mãe para conseguir dormir toda vez que fico doente e meu pai ainda briga comigo por eu não saber dirigir.

Ainda não sei assoviar, nem andar de bicicleta.

Ainda choro de saudades do meus avós e ainda tenho a parede cheia de posteres.

O rg continua dizendo que estou aumentando minha idade, minha cabeça continua velha e meu coração continua sendo da década que passou antes de eu nascer, meus sonhos continuam quase os mesmos e as ideias ainda teimam em nascer.

Talvez nosso erro seja pedir demais por dias novos e diferentes, quando o que mais precisamos são dias exatamente iguais.






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domingo, 11 de março de 2012

Toalhas azedas

 



Por: Eduardo Varandas Araruna


A Sociologia diz que o homem é um ser gregário: busca grupos, tanto quanto outros espécimes do reino animal. Contudo, além de ter a necessidade de viver em bandos, o homem é um ser afetivo. É exatamente esse atributo que o torna diferente, até mais intrigante e problemático que as demais criaturas de Deus. Mirando os relacionamentos humanos, vejo como tudo está banalizado pela voragem de um mundo prático, materialista e utilitário. Pessoas entendem-se, atam-se e desatam-se numa fração de segundo. Nascem enlaces e desenlaces, como se, no século da pressa, o amor, sentimento mais puro e abstrato da alma, pudesse ser concebido, digerido e expelido na mesma velocidade de um sanduíche de “fast food”.



Mesmo nos relacionamentos duradouros, o sentimento de renúncia é raro. Explico: viver a dois implica, antes de tudo, renunciar. É o desprendimento dos nossos anseios exclusivamente pessoais, para, deixando de ser um todo solitário, tornarmo-nos apenas a metade de uma unidade amorosa chamada “casal”.


Imperioso é deixar de conjugar os verbos na primeira pessoa do singular (“eu”), para exercer a difícil arte de utilizar o pronome “nós”, procedendo, de idêntico modo, quanto a todos os possessivos: o “meu” passa a ser o “nosso”, tanto quanto o “teu”.


Viver um casal é mais que uma necessidade psicológico-afetiva, é um sublime talento que exige, muitas vezes, o que os neurolinguistas chamam “inteligência emocional”. É preciso aprender a ceder, baixar a cabeça, enrijecer, negar, revelar, confessar – tudo feito no tempo certo e tendo, como norte exclusivo, a harmonia e a saúde do enlace afetivo.


Penso que o orgulho é inimigo capital do amor. Não estou aqui pregando que alguém se deva anular em favor de outrem. O amor próprio é pressuposto essencial, para gostar de alguém. Ninguém que não ama a si mesmo será capaz de amar o semelhante. Entrementes, a excessiva altivez e a soberba pessoal, em detrimento do companheiro, é injeção letal.


É fácil negar. Mais comum ainda é tentar fazer prevalecer a ideologia e os valores isolados de um, em detrimento do casal. Amar pressupõe respeito e, sem este, qualquer relacionamento redundará em paixão, admiração ou fanatismo; o amor, todavia, deixa de ser alimentado e tornar-se-á inexistente.


A verdade é que as pessoas mais se digladiam, que se amam, e, não raro, quando o relacionamento acaba, os ex-amantes tornam-se inimigos capitais. Quando isso acontece, a etapa vivida a dois é resvalada no ralo do esquecimento, e as sementes oriundas de um relacionamento findo são vomitadas em um novo “amor”, também tendente ao mesmo desfecho trágico e precoce do anterior.


Ter um amor legítimo é uma preciosidade. Não recebe o devido valor, quando é presente, mas, quando se o perde, o desespero bate à porta. O pior de tudo é o sentimento de culpa, por não ter lutado, por não haver atendido a um pedido, ou por tão ter cedido a um bobo e pueril capricho, quando esses atos não implicarem comprometimento da dignidade pessoal.Amor frustrado ou naufragado é como toalhas com cheiro de azedo: não perfumam o corpo, quando nos enxugamos, e ainda causam enorme desconforto. Sentir o azedume pode ser uma questão de escolha e de decisão pessoal.
















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terça-feira, 6 de março de 2012

Escravos da vaidade




Por : Cassiane Schmidt

Fonte-Site : overmundo

A valorização da imagem nunca esteve tão evidente em nossa sociedade, vive-se hoje um tempo onde a aparência esta pretensamente associada à idéia de felicidade, de superioridade. Sabe-se, contudo, que ter uma boa aparência é muito importante na vida profissional e nas relações interpessoais que estabelecemos no meio social, no entanto, ter boa aparência não significa ser uma Gisele Bunchem, toda pessoa pode sim ter uma imagem pessoal positiva associada ao comportamento, ao intelecto, a maneira de ser, e não apenas parecer.
A pretensão desta abordagem procura refletir acerca dos excessos, das loucuras cometidas em busca de ideais de beleza, quase sempre inatingíveis. Basta ligar a tevê, folhear uma revista ou mesmo observar os outdoors para perceber como está implícito um padrão estético, é preciso, no entanto, conscientizar os jovens sobre as falsas ideologias impressas por trás das imagens. A influencia da mídia age diretamente sobre o comportamento de milhares de jovens, que despersonalizados, acabam sendo influenciados por padrões de comportamento. Essa influencia vem atingindo toda uma geração de mulheres (e homens também) que acabam se sujeitando a toda espécie de tratamentos estéticos, onde a saúde fica quase sempre em último plano. Na busca imediata de resultados, pessoas não usam critérios na escolha do profissional colocando sua vida em risco.
Quantos casos de mortes causadas em intervenções estéticas, lipoaspirações mal sucedidas, queimaduras em sessões de bronzeamento artificial, perda do cabelo em tratamentos de alisamentos, danos no sistema nervoso em função de tratamentos clandestinos de emagrecimento, problemas de coluna e hérnias de disco por excesso de malhação, enfim, acredito que para cada um de nós um dos casos é comum, já ouvimos falar.
O caso que mais chama a atenção sobre loucuras em nome da vaidade é representado pela modelo Ângela Bismarchi, 36 anos, que se submeteu a 44 intervenções estéticas.
O que leva o ser humano a refazer toda sua imagem? Transformar a própria natureza? O que esta faltando? Quais os mecanismos de compensação, de negação da própria imagem que levam a pessoa a se transformar, a perder a própria personalidade?
O comportamento irresponsável, a busca por resultados imediatos é fruto de uma estática psíquica herdada duma geração preocupada em manter aparências, relegando ao degredo a importância do ser. Como adendo, vale considerar que nem sempre os melhores rótulos contem os melhores conteúdos!
Contudo, a conseqüência dessa maratona sem precedentes em nome da beleza vem fazendo muitas vitimas, milhares de jovens caem nas mãos de médicos charlatões, colocando suas vidas em risco. É fundamental que os pais estejam atentos ao comportamento dos filhos, observando seu comportamento, suas atitudes e hábitos alimentares. Cresce assustadoramente o número de casos de bulimia e anorexia – distúrbios alimentares- causando, muitas vezes, danos irreversíveis a saúde.
Uma geração despersonalizada compõe a “passarela” do século 21, jovens que preocupados apenas com o aspecto físico esquecem de ser, de ser gente! Esquecem de pensar sobre a beleza interior, associada à generosidade, ao amor, a gratidão, aos bons modos, a educação. Barbies semi-analfabetas desfilam seus copos magros, incapazes de sustentar o vazio de suas cabecinhas ocas.
O mais importante, neste contexto, é conscientizar os jovens, principalmente na fase da pré-adolescência, acerca dos verdadeiros princípios, da superioridade do ser humano face à superficialidade das aparências. Valorizar suas qualidades, aptidões favorece a formação da auto-estima antídoto infalível contra as influencias dos padrões doentios de beleza. Cabe a família e a escola darem importância a este aspecto, criando espaços para discussão e conscientização da força das ideologias na vida cotidiana das pessoas.
Por que não criamos um padrão de beleza associada à cultura? , à educação?
Faz-se urgente acordar nossos jovens para o verdadeiro significado da vida.


Pensem nisso!





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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Felicidade... padrão ou apenas sentimento?







Por : Patricia Galante
 Do Blog: http://patricia-galante.blogspot.com/


Responda rapidamente sem muito pensar... o que é ser feliz? O que precisa acontecer pra que você se sinta feliz?

Perguntinha dificil essa né... Mas talvez a dificuldade venha justamente por buscarmos uma resposta universal, que atenda a todas as expectativas e que se transforme em padrão.

Rubem Alves, um escritor fabuloso que toca na alma com suas palavras, diz que felicidade é ver, mas não ver o que os olhos trazem, mas sim o que o seu coração te conta que viu, O SENTIR...

Talvez esteja aí mesmo a resposta. Não se é feliz o tempo todo, pois não podemos enxergar a todo momento. Trabalhamos, brincamos, corremos, nos divertimos, temos compromissos legais e tediosos, enfim, VIVEMOS! Com todas as consequencias que isso possa nos trazer. E por conta disso, precisamos usar a razão em muitos momentos vividos e deixar um pouquinho o sentir de lado.

Viver, sem duvida alguma pode ser feito de maneira intensa ou superficial. Depende do quanto buscamos por essa tal felicidade e do quão abertos nos encontramos para ela.

Enquanto estivermos presos ao "padrão", ao que usualmente é tido como momento feliz, podemos estar buscando esse sentir em coisas externas, no outro, na casa sonhada, na faculdade idealizada, no homem ou mulher perfeitos, no casamento dos sonhos com principe montado no cavalo branco... Pode ser tão mais simples que isso!!!

Basta descobrir que o unico caminho para esse sentir é o próprio coração, o enxergar-se do Rubem Alves, mas em primeiro lugar a si mesmo!

Agora responda sem pensar... o que é a sua felicidade hoje?

sexta-feira, 25 de março de 2011

Sobre a vaidade

Por : Luiz Alves


Do Blog : 
http://blog.luizalves.net/2009/10/27/sobre-a-vaidade/



A vaidade, em geral, é interpretada como algo negativo, e muito difícil de ser avaliada sob a ótica moral. Na visão de muitos, vaidoso é aquele que quer chamar a atenção, que deseja se destacar dos demais, o que tem seu fundo de verdade. Em essência todos nós demonstramos algo de vaidade em nossos atos, ou seja, a vaidade se apresenta como um dos fundamentos das ações humanas. Como afirmou Mathias Aires, a vaidade é sem limites, durando mais do que nós mesmos, através dos túmulos aparatosos que mandamos fazer.
Um dos desafios que enfrentamos, desde muito cedo, em nossas vidas é ter que administrar conflitos. Dado que a vaidade é um processo desenvolvido pelo homem que vive em sociedade, desde o nosso nascimento, somos submetidos a toda sorte de situações que nos levará a buscar se destacar de alguma maneira dos demais. Portanto a vaidade esta intimamente conectada com o processo de individualização do ser humano, que passados os primeiros anos de vida, de alguma maneira, buscará ser diferente do grupo do qual é parte integrante, o que significa caminhar no sentido oposto ao da integração. Neste ponto surge talvez o primeiro grande conflito a ser administrado.
Durante a infância temos como objetivo ser igual aos demais e ser bem aceito pelos grupos que formamos parte, sem importar quem é o mais rico ou o mais inteligente. Já na fase juvenil, para ser bem aceito pelo grupo é necessário se destacar, por outro lado isto traz conseqüências, sendo a solidão a principal delas. Por isso, a solução é buscar diferenciar-se dos pais e fazer parte de alguma tribo. A vaidade exige uma competência para lidar com a individualização que os adolescentes em geral têm dificuldades para desenvolver.
A dificuldade para lidar com a individualização segue firme em nossas vidas e são poucos os que conseguem a autonomia para se destacar como criaturas que vivem fora dos modelos convencionais. Esta diferenciação, muitas vezes, é exibida através de bens que ostenta. Em várias situações, pessoas que enriquecem sentem-se solitárias e sofrem muito, dado que são poucos os que se preparam para lidar bem com este novo modelo de vida.
Não quero trazer a tona o prazer exibicionista, porque este ganha contornos que vão muito além da simples observação e da filosofia. No entanto, a vaidade exerce forte pressão sobre o homem que vive em sociedade. Vencer significa destacar-se e isto funciona como uma espécie de ópio que traz uma sensação de grande prazer, ao passo que derrota provoca dores profundas e gera sensação de humilhação. Desta maneira, uma derrota nos traz a sensação que estamos atraindo a atenção no sentido negativo, consequentemente sentimo-nos inferiores aos demais.
Vencer significa diretamente estar sob os holofotes do sucesso, ou seja, faz com que as pessoas ganhem visibilidade, que por sua vez alimenta a fogueira da vaidade. Por outro lado, ninguém conseguirá sair vencedor em todas as situações, daí a importância de saber administrar derrotas.
Justamente neste ponto que gostaria de parar para uma reflexão, porque é muito comum pessoas entrarem em depressão quando experimentam derrotas. Vencer não pode ser encarado como opção única, caso contrário a depressão será um caminho sem volta. Não faz o menor sentido se sentir humilhado porque perdeu uma partida de futebol entre amigos. Acredite isto se passa com frequencia.
As pessoas que não sabem administrar derrotas, em geral, perdem o sentido comum da vida, já que tudo passa a ser um desafio. Tudo que se faz sempre dever ter uma meta, cujo objetivo final será atrair a atenção e admiração das pessoas. Assim nos tornamos escravos de nossa vaidade, criando fantasias, e obviamente sofrendo muito com as inevitáveis derrotas. A vaidade subtrai o bom senso, e faz a pessoa querer ganhar qualquer disputa, mesmo que seja um simples ponto de vista. A vida poderia ser muito mais simples se todos os seres humanos fossem dotados de uma boa dose de bom senso e menos vaidade.
A vaidade esta presente em grande escala na vida profissional das pessoas, especialmente quando se aborda o reconhecimento tanto na forma material como social. Em determinadas profissões também existe uma enorme preocupação com a aparência física, que muitas vezes tornam o profissional um escravo e sem direito a vida privada. O reconhecimento, muitas vezes, aparece como uma espécie de lavagem cerebral, em forma de gordos pagamentos em dinheiro para os que superam as metas, assim como viagens surreais, ações e outros prêmios. Mesmo aquele simples troféu de vendedor do ano que orgulhosamente é exibido no ambiente de trabalho é um grande ato de vaidade.
Não creio que exista grandes males em se orgulhar de conquistas, mas é importante tomar cuidado no sentido de evitar afastar-se dos sonhos e projetos de alto valor construídos individualmente. Alto valor aqui não é monetário, mas pessoal e que tem a ver com a forma de ser e pensar de cada um. O sucesso a qualquer preço vai te custar caro, acredite.
Não é a toa que a vaidade, também chamada de orgulho ou soberba, é considerada o mais grave dos pecados capitais, e pode incomodar muito se for exacerbada. Se examine bem e perceberá em você mesmo uma série de atos corriqueiros associados à vaidade, pois embora cada ser humano conheça muito bem as vaidades alheias, desconhece suas próprias. Conhecemos as coisas não pelo que são em si, mas pelas suas diferenças. A essência geralmente nos passa oculta. Além disso, nossas idéias mudam a partir das alterações pelas quais nós mesmos somos submetidos.
O fato de cuidar da individualidade não nos torna egoístas, mas faz crescer, e para tal não é necessário sair em peregrinação pelo mundo, escalar montanhas ou atravessar a nado o Canal da Mancha. O que conta mesmo é a convicção em seus ideais. O egoísta não tem energia própria, por isso, precisa sugá-la dos demais, o que é muito diferente daquele que se vê por inteiro e se preserva como ser humano único que é.

domingo, 20 de março de 2011

Pedaços em mim



Hoje estou trazendo uma postagem bem especial .Este  maravilhoso poema escrito 
por essa doçura de pessoa. 
 Zizi do Blog: http://liztarot.blogspot.com/


Que bela homenagem amiga!!Parabéns!!
Me sinto honrada por fazer parte neste tão belo poema.
  Um bjão Rejane

Vou 
Vou em busca de mim
na certeza que o caminho que trilho agora é muito melhor
do que aquele que trilhava antes de aqui chegar.
O que aprendi aqui
nenhuma escola me ensinaria
pois os mestres que tive
foram os melhores
e nenhuma faculdade pode pagar.

 O meu coração vai cheio de graça
neste novo caminho.
Muitas ideias fui tecendo
muitas ideias fui trocando
enquanto tentava manter desperta a minha luz.

Me deitei neste divã que é a vida,
recebi muitas respostas às minhas perguntas.
Segui meu sexto sentido,
e até me perdi no Japão.

Permiti que minha alma ficasse zen.
e descobri a beleza
e a felicidade
como numa caixinha
de boa nova.

Tomei meu chá das 5
lendo as notícias da cozinha e
sentindo o doce da filosofia.

Vi as sementes no canteiro
da quinta
 mostrando a essência de cada flor e,
até fadinhas eu vi.

Vi o delírio de uma bruxa 

Senti o vento numa ilha e,
simples assim percebi

Aprendi com alguém especial 
e que somos fractais, 
pedaços do grande Todo.

Entrei na cova do urso,
frequentei  a casa das virtudes,
conheci o poeta louco
e
entre olhares líricos,
que há pérolas nos

Aqui encontrei os mentores de luz,
trabalhei a minha espiritual-idade,
andei por vários mundos
e fui além das nuvens

Debaixo da Luz da minha amada Mestra Kwan Yin
li livros e colhi flôres
e foi por aí que 
descobri alguns pequenos barulhos internos.

Por isso vou...


Vou em busca de mim
na certeza que o caminho que trilho agora é muito melhor
do que aquele que trilhava antes de aqui chegar.
O que aprendi aqui
nenhuma escola me ensinaria
pois os mestres que tive
foram os melhores
e nenhuma faculdade pode pagar.





 beijinhos
zizi  


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Tal felicidade

Por : Ediney Santana
Do Blog : http://cartasmentirosas.blogspot.com/





Individualmente você e eu podemos até sermos ou somos felizes, mas na coletividade ninguém é feliz neste país que a meia noite sempre vira abóbora.
O Brasil é o fruto coletivo do individualismo, somos um povo sem paciência para pensar no outro, a regra básica para si viver por aqui está nas palavras do coronel Tamarindo no seu brado de retirada da Guerra de Canudos, brado registrado por Euclides da Cunha em “Os sertões”: “É tempo de murici cada um cuide de si”.
Vivemos em eterno estado de “murici” e neste tempo eterno cuida cada um de si como se a coletividade arruinada não tivesse absolutamente nada haver conosco.
Felicidade coletiva? Presos em engarrafamentos na solidão do ar condicionado ou no inferno de um coletivo super lotado? Felicidade coletiva? Quando estamos na busca desesperada por atendimento médico em postos de saúde ou hospitais públicos que estão mais para criadouros de bactérias?
Felicidade coletiva quando os índices de mulheres casadas contaminadas pelo HIV aumentam assustadoramente por conta da irresponsabilidade de seus maridos que se infectam e infectam suas companheiras?
Felicidade coletiva? Quando vamos a um estádio de futebol e somos vitimados por quadrilhas organizadas disfarçadas de torcidas?
Felicidade coletiva? Quando estamos presenciando o desaparecimento das nossas florestas e extinção das inúmeras espécies de animais aos olhos das autoridades “corruptamente” competentes?
Felicidade coletiva? Quando ONGs criminosas se instalam na Amazônia e livremente fazem biopirataria? Ou levam religiões espúrias na tentativa cretina de catequizar as comunidades indígenas, tentam destruir com a cultura e religião dos índios? Querendo salvar suas almas e ficar com suas riquezas e terras?
Felicidade coletiva? Depois de anos de luta pelos direitos civis das mulheres muitas ainda são subjugadas? Escravizadas em bordeis? Espancadas e quando vão a delegacias são vitimas do descaso de policiais no mínimo mastodontes machistas?
Felicidade coletiva quando Na contramão da afirmação feminina muitas mulheres ainda usam o corpo para conseguir um emprego, seduzir o chefe? Jogando na lata do lixo anos de lutas e reivindicações de respeito social?
Felicidade coletiva? Quando assistimos impotentes nossos amigos homossexuais serem mortos e agradecidos nas ruas por monstrengos gerados em famílias sem dignidade e falidas para o respeito de si mesmas quanto mais para a convivência pacifica com coletividade? Avessas ao amor próprio por isso mesmo desprovida de respeito pela diversidade?
Felicidade coletiva? Quando o governo do Brasil abóbora vai cortar do orçamento este ano três trilhões de reais dos investimentos para educação, cultura, ciência e tecnologia? Quando os cortes serão maiores no nordeste - avestruz, região no qual inversamente será investido mais um bilhão de reais no bolsa família?
Felicidade coletiva quando um povo inteirinho aplaude um monumento novo na praça central da cidade e não dá à mínima se políticos, grupos de extermínios, polícias corruptos e traficantes se unem para governarem o Brasil real?
Da janela do seu apartamento, da minha casinha no Bairro do Sacramento, podemos ver o Brasil com seus monstros, por enquanto estamos em paz, afinal o monstro está lá fora, devora o vizinho, o porteiro do teu prédio, um índio perdido lá na Amazônia.
Não é nossa amiga que todos os dias está sendo estuprada e morta, nada disso. Somos muitos felizes com o nosso singular bem estar, o Brasil abóbora é o do vizinho, o nosso é maravilhoso singularmente maravilhoso.
Em tempo, o Coronel Tamarindo ao dizer sua famosa frase: “É tempo de murici cada um cuide de si”, caiu cravejado de balas, seu corpo foi colocado em uma estaca na beira de uma estrada perto da cidade de Canudos-Ba.
Bem, o Brasil do Coronel Tamarindo era o Brasil abóbora, não é o nosso caso, não é o nosso maravilhoso e singular país.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O retrato do mundo em que vivemos.


Por : 
Leila Ferreira
Fonte :  Bloghttp://blogdoprofex.blogspot.com/



 
Estamos obcecados com "o melhor". 
Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor"...

Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho.

Bom não basta!

O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor".

Isso até que outro "melhor" apareça - e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer.

Novas marcas surgem a todo instante.
Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.

O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego.

Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter.

Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos.
Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários.

Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis.

Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente.

Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência?

Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa?

E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto?

O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chef"?

Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro?

O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"?

Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos.

A casa que é pequena, mas nos acolhe.

O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria.

A TV que está velha, mas nunca deu defeito.


O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos".

As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo...

O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem.

O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.

Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso?

Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" a gente nem percebeu?




Leia no arquivo.