Navegando pelo mundo da Net, encontrei e trouxe para cá estes grandes achados.São pessoas talentosas que escreveram o que eu gostaria de ter escrito. Todos os textos estão com os devidos créditos. Meus parabéns a todos eles! Rejane

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“Quem escreve constrói um castelo, e quem lê , passa a habitá-lo.”

sexta-feira, 25 de março de 2011

Sobre a vaidade

Por : Luiz Alves


Do Blog : 
http://blog.luizalves.net/2009/10/27/sobre-a-vaidade/



A vaidade, em geral, é interpretada como algo negativo, e muito difícil de ser avaliada sob a ótica moral. Na visão de muitos, vaidoso é aquele que quer chamar a atenção, que deseja se destacar dos demais, o que tem seu fundo de verdade. Em essência todos nós demonstramos algo de vaidade em nossos atos, ou seja, a vaidade se apresenta como um dos fundamentos das ações humanas. Como afirmou Mathias Aires, a vaidade é sem limites, durando mais do que nós mesmos, através dos túmulos aparatosos que mandamos fazer.
Um dos desafios que enfrentamos, desde muito cedo, em nossas vidas é ter que administrar conflitos. Dado que a vaidade é um processo desenvolvido pelo homem que vive em sociedade, desde o nosso nascimento, somos submetidos a toda sorte de situações que nos levará a buscar se destacar de alguma maneira dos demais. Portanto a vaidade esta intimamente conectada com o processo de individualização do ser humano, que passados os primeiros anos de vida, de alguma maneira, buscará ser diferente do grupo do qual é parte integrante, o que significa caminhar no sentido oposto ao da integração. Neste ponto surge talvez o primeiro grande conflito a ser administrado.
Durante a infância temos como objetivo ser igual aos demais e ser bem aceito pelos grupos que formamos parte, sem importar quem é o mais rico ou o mais inteligente. Já na fase juvenil, para ser bem aceito pelo grupo é necessário se destacar, por outro lado isto traz conseqüências, sendo a solidão a principal delas. Por isso, a solução é buscar diferenciar-se dos pais e fazer parte de alguma tribo. A vaidade exige uma competência para lidar com a individualização que os adolescentes em geral têm dificuldades para desenvolver.
A dificuldade para lidar com a individualização segue firme em nossas vidas e são poucos os que conseguem a autonomia para se destacar como criaturas que vivem fora dos modelos convencionais. Esta diferenciação, muitas vezes, é exibida através de bens que ostenta. Em várias situações, pessoas que enriquecem sentem-se solitárias e sofrem muito, dado que são poucos os que se preparam para lidar bem com este novo modelo de vida.
Não quero trazer a tona o prazer exibicionista, porque este ganha contornos que vão muito além da simples observação e da filosofia. No entanto, a vaidade exerce forte pressão sobre o homem que vive em sociedade. Vencer significa destacar-se e isto funciona como uma espécie de ópio que traz uma sensação de grande prazer, ao passo que derrota provoca dores profundas e gera sensação de humilhação. Desta maneira, uma derrota nos traz a sensação que estamos atraindo a atenção no sentido negativo, consequentemente sentimo-nos inferiores aos demais.
Vencer significa diretamente estar sob os holofotes do sucesso, ou seja, faz com que as pessoas ganhem visibilidade, que por sua vez alimenta a fogueira da vaidade. Por outro lado, ninguém conseguirá sair vencedor em todas as situações, daí a importância de saber administrar derrotas.
Justamente neste ponto que gostaria de parar para uma reflexão, porque é muito comum pessoas entrarem em depressão quando experimentam derrotas. Vencer não pode ser encarado como opção única, caso contrário a depressão será um caminho sem volta. Não faz o menor sentido se sentir humilhado porque perdeu uma partida de futebol entre amigos. Acredite isto se passa com frequencia.
As pessoas que não sabem administrar derrotas, em geral, perdem o sentido comum da vida, já que tudo passa a ser um desafio. Tudo que se faz sempre dever ter uma meta, cujo objetivo final será atrair a atenção e admiração das pessoas. Assim nos tornamos escravos de nossa vaidade, criando fantasias, e obviamente sofrendo muito com as inevitáveis derrotas. A vaidade subtrai o bom senso, e faz a pessoa querer ganhar qualquer disputa, mesmo que seja um simples ponto de vista. A vida poderia ser muito mais simples se todos os seres humanos fossem dotados de uma boa dose de bom senso e menos vaidade.
A vaidade esta presente em grande escala na vida profissional das pessoas, especialmente quando se aborda o reconhecimento tanto na forma material como social. Em determinadas profissões também existe uma enorme preocupação com a aparência física, que muitas vezes tornam o profissional um escravo e sem direito a vida privada. O reconhecimento, muitas vezes, aparece como uma espécie de lavagem cerebral, em forma de gordos pagamentos em dinheiro para os que superam as metas, assim como viagens surreais, ações e outros prêmios. Mesmo aquele simples troféu de vendedor do ano que orgulhosamente é exibido no ambiente de trabalho é um grande ato de vaidade.
Não creio que exista grandes males em se orgulhar de conquistas, mas é importante tomar cuidado no sentido de evitar afastar-se dos sonhos e projetos de alto valor construídos individualmente. Alto valor aqui não é monetário, mas pessoal e que tem a ver com a forma de ser e pensar de cada um. O sucesso a qualquer preço vai te custar caro, acredite.
Não é a toa que a vaidade, também chamada de orgulho ou soberba, é considerada o mais grave dos pecados capitais, e pode incomodar muito se for exacerbada. Se examine bem e perceberá em você mesmo uma série de atos corriqueiros associados à vaidade, pois embora cada ser humano conheça muito bem as vaidades alheias, desconhece suas próprias. Conhecemos as coisas não pelo que são em si, mas pelas suas diferenças. A essência geralmente nos passa oculta. Além disso, nossas idéias mudam a partir das alterações pelas quais nós mesmos somos submetidos.
O fato de cuidar da individualidade não nos torna egoístas, mas faz crescer, e para tal não é necessário sair em peregrinação pelo mundo, escalar montanhas ou atravessar a nado o Canal da Mancha. O que conta mesmo é a convicção em seus ideais. O egoísta não tem energia própria, por isso, precisa sugá-la dos demais, o que é muito diferente daquele que se vê por inteiro e se preserva como ser humano único que é.

Um comentário:

mentoresdeluz.blgspot.com disse...

linda post rejane,passei para deixar um abraço carinhoso a voce,seu
blog é muito lindo repleto de conteudo muito interessante,vou visita-lo mais vezes ,tenha um lindo final de semana,bjs marlene

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