Navegando pelo mundo da Net, encontrei e trouxe para cá estes grandes achados.São pessoas talentosas que escreveram o que eu gostaria de ter escrito. Todos os textos estão com os devidos créditos. Meus parabéns a todos eles! Rejane

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“Quem escreve constrói um castelo, e quem lê , passa a habitá-lo.”

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Sou mãe. Logo, imperfeita







Por : Lilian Dias

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Surpreendi-me e não pude deixar de escrever sobre reportagem publicada nas páginas amarelas de Veja da semana passada, que trouxe entrevista com a filósofa francesa Elisabeth Badinter (foto). Autora de vários livros, Badinter é uma referência quando o assunto é maternidade, sobretudo pelas polêmicas que desperta ao questionar velhos conceitos relacionados a ela. Veja entrevistou a filósofa por ocasião do seu mais recente trabalho, Le Conflit: La Femme ET La Mère (O Conflito: a Mulher e a Mãe), lançado também no Brasil.

A entrevista de Badinter é um “alento” para mães que experimentam constantemente a sensação de nadar, nadar, nadar e morrer na praia; que se frustram diante de objetivos não alcançados e do “leite derramado”, como diriam nossas avós; e que carregam consigo uma carga de culpa e medo da qual parecem não conseguir se livrar jamais – afinal, mães precisam fazer a coisa certa, sempre. É isso o que todos esperam delas.

A pesquisadora revisita culturas e a própria história da humanidade para comprovar a tese de que mães são naturalmente imperfeitas, como é inerente à própria espécie humana. Combate a ideia de que a maternidade é o passaporte para um mundo de sentimentos absolutamente nobres. Desconstrói o mito da mãe perfeita, que não se cansa jamais diante das infinitas e eternas necessidades de seu rebento. Ao contrário: imperfeitas, mães erram, se sentem indispostas, se sentem frustradas ao não conseguirem encontrar equilíbrio entre os próprios desejos e os dos seus filhos.

Para Badinter, cada mulher deve exercer a maternidade a sua maneira, dando assim ouvidos a seus valores e convicções. Assim como na vida. Assim como são amigas, filhas, irmãs, trabalhadoras, companheiras imperfeitas, as mulheres o serão também na condição de mães. Negar isso, idealizar a maternidade, sim, nos traz grande frustração. “Nossa cultura criou um ‘amor maternal’ como um sentimento livre de imperfeições e ambiguidades. É como se nele existisse uma aura de sagrado”, diz Badinter a Veja.

Como mãe, acho que há mesmo um quê de sagrado na maternidade. Sou referência, ponto de equilíbrio, suporte emocional, afetivo, intelectual para meu filho e fui instrumento para que ele pudesse fazer-se gente. Mas com ele desejo seguir numa estrada onde seja possível vivenciar os tantos sentimentos inerentes à experiência que chamamos de “vida”. E nela, claro, haverá muito de imperfeição. Mas haverá mãos dadas. Incondicionalmente.



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